Tarifa da Água Sobe Mais de 126% no Paraná

O maior aumento na conta foi em março deste ano, com a tarifa de água 5,12% mais cara e, novamente, acima da inflação nos 12 meses anteriores, de 3,18%. Em 2017, a mudança na forma como a tarifa era calculada também impactou o consumidor. Nos próximos sete anos, a tarifa deve continuar em escalada, já que a agência que regula a atividade da empresa no Paraná, a Agepar, permitiu no ano passado o reajuste escalonado de 25,5% para oito anos.

É uma medida que atinge em cheio o bolso dos 11 milhões de moradores do estado, em 345 cidades, atendidos pela companhia de capital misto. Serão novos capítulos de uma novela que envolve decisões políticas e acionárias que levaram um dos serviços mais básicos a ter preços recordes por aqui.

Qual o valor da conta de água?

Após o mais recente reajuste na tarifa de água e esgoto, os valores dos serviços da Sanepar são de R$ 13,88 para a tarifa social; R$ 62,25 para o consumo de até cinco metros cúbicos e R$ 71,89 para até 10 metros cúbicos por mês. Para gastos maiores, o cálculo é progressivo e cresce proporcionalmente.

Valores assustaram associação

As alíquotas assustaram a Proteste. Sobretudo porque, enquanto por aqui o serviço foi reajustado em um valor anos-luz da inflação, em outros estados foi até reduzido. Para a associação, essa disparidade mostra falta de critérios das companhias em relação a política tarifária.

A associação evita falar dos casos isolados, como o da Sanepar, mas diz, em nota, que “cada órgão regulador estadual (ou municipal) avalia o percentual de aumento de uma forma”. “No mesmo ano, vemos autorizações para aumentos muito discrepantes entre as companhias”, destacou a Proteste.

Sanepar diz que há motivos para aumento

Para a Sanepar, porém, existe uma justificativa. A alta, na concepção da empresa, é uma correção de valores decorrente de um erro da política do governo Roberto Requião (MDB). “Nós tivemos cinco anos de preços represados. A companhia tem um compromisso de universalização do saneamento. E você tem compromissos assumidos em contratos de que você tem que universalizar. Uma vez que você não tem os reajustes, você compromete o plano de universalização e pode ficar inadimplente com os contratos firmados com as prefeituras”, defende Joel de Jesus Macedo, economista da Gerência de Regulação.

Entre 2011 e 2017, por exemplo, a alta foi de 124%, para uma inflação de menos de 50%. Para comparar, em 2011, o preço de 10 metros cúbicos de água era pouco mais de R$ 18; hoje, chega a R$ 71. Mas os investimentos também subiram consideravelmente, à casa de R$ 800 milhões ao ano, como mostram os balanços da empresa.

O reajuste dos preços de água e esgoto deixou o brasileiro com um gosto amargo na boca de 2016 para cá. Na média do país, estes serviços ficaram 34% mais caros de janeiro de 2016 a agosto de 2018, de acordo com levantamento da Proteste – que leva em conta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, a inflação no período foi de 11%.

Foram levados em conta os valores de 23 companhias que fornecem o serviço em 19 estados brasileiros. A Sanepar lidera o ranking, seguida da Embasa, que atua na Bahia – o reajuste foi de 107% para os baianos no período. Em nota, a empresa apontou que a Proteste “usa uma metodologia desvinculada da estrutura de cobrança da empresa”. Portanto, para a companhia, os valores não refletem a realidade.

Por outro lado, algumas companhias até reduziram seus preços. A Copasa e a Cesama, que dividem o saneamento em Minas Gerais, baixaram os valores em 66% e 50%.